Artigo, Geral

Em 2016, não entre em pânico!

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Hoje, véspera de final de ano, as portas de 2016, resolvi fazer um artigo mais descontraído, que honre o título do site: Política, Universo e tudo +. Não coloquei o Universo e tudo + por ser megalomaníaca, mas por ser uma fã do Douglas Adams e do seu maravilhoso Guia do Mochileiro das Galáxias, leitura tão obrigatória quanto ver Star Wars, pelo menos no meu mundo. Afinal, as coisas estão todas interconectadas e nada existe isoladamente.

Douglas consegue no Guia, de forma como só o humor inglês é capaz, satirizar a política, os políticos, a burocracia e seus adoradores, os Vogons*. Passeando por várias teorias da física, da matemática, da probabilidade, ele brinca fazendo ironia e dizendo coisas muito sérias. É a história de um terráqueo que se vê arrebatado de sua vida pacata e jogado em uma viagem pelas galáxias, em companhias nada convencionais, levando apenas sua toalha de banho. Temos um “presidente” galáctico com um ego distorcido e uma segunda cabeça que assume o comando de vez em quando e um robô deprimido. Trata também das coincidências que não são coincidências, mas destino. No fundo ele quer dizer que devemos nos entregar à experiência da vida, sem entrar em pânico, e sem nos torturarmos se não conseguirmos explicar o sentido de tudo (+), no livro simbolizado por uma equação quase infinita que resultou no número 42.

Acho o tema bastante oportuno, pois se pararmos para pensar no que nos espera no ano de 2016 é muito fácil quase entrarmos em pânico. Quase como entrar em uma viagem rumo ao desconhecido. As previsões econômicas são terríveis, as previsões políticas, bom…imprevisíveis. Em 2015 já vivemos fortíssimas emoções, mas 2016 promete ser um ano inesquecível.

Estamos entrando em um ano onde os mais experientes analistas de cenário se sentem inseguros para fazerem previsões, e quando o fazem são cheias de “se”, “ou” e “mas”. Podemos projetar algumas questões econômicas, puramente matemáticas, mas como o imponderável tem se imposto neste país (vide gravação do Bernardo Cerveró), as projeções precisam ficar no básico para não se tornarem irreais e seus autores caírem es descrédito. A economia não é feita só de números e projeções matemáticas, mas é um emaranhado de operações realizadas por seres humanos e permeáveis às suas paixões, medos e apostas. Em suma, fatores como credibilidade, legitimidade, confiança, são subjetivos e influenciáveis até pelo clima. E estes fatores interferem em tudo +, inclusive na economia. Como não temos um Guia do Mochileiro para nos guiar em 2016, cabe aqui um conselho presente também no livro: tenhamos sempre bom senso! Assim estaremos um pouco mais preparados para os acontecimentos que estão por vir.

Um feliz 2016 para todos nós e não esqueçam, nada de pânico!

*Vogons são criaturas altamente burocráticas; requisitam formulários para praticamente tudo, o que torna muito lenta qualquer tentativa de conseguir algo deles. Para tudo precisam de “um formulário em 3 vias para enviar, devolver, questionar, perder, encontrar, abrir um inquérito, perder novamente e, finalmente, deixar 3 meses sob um monte de turfa, para, depois, reciclar como papel para acender fogo”.