Opinião, Política

Ringue aberto na temporada do segundo turno em Porto Alegre

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Os debates da campanha para a prefeitura de Porto Alegre, neste segundo turno, têm sido pontuados mais por agressões e ataques do que por propostas claras e objetivas. O debate na Rádio Guaíba, na última segunda-feira (10/10) , foi uma continuação do ringue que já tínhamos visto no debate da Band, na noite de sexta, entre o candidato da situação, o atual vice-prefeito Sebastião Melo e o candidato de oposição, Nelson Marchezan Junior. Desta vez tivemos vários golpes abaixo da linha da cintura.

O primeiro bloco começou bem, com os dois candidatos respondendo a pergunta feita pelo Sescon-RS, mas logo no segundo bloco a artilharia veio forte. Cada candidato tentando colar no outro rótulos negativos. Marchezan mostrando que Melo é o continuísmo do que temos hoje na cidade – e que portanto, podia ter feito as mudanças que propõe mas não as fez – e Melo querendo dizer que Marchezan esteve onze anos na coligação e está com dois partidos que sempre foram a base da atual administração.

Em um momento Melo acusou gratuitamente Marchezan de não gostar de pobres, de vila e nem do Lami. O comparou a Collor e disse que ele não era o novo e nem a mudança, mas um representante da velha política. Disse ainda que Marchezan era virulento, faltava com a verdade, não conhecia a cidade e era contra os partidos. Mas logo a seguir Melo atacou o PP e o PTB que até pouco tempo queria na coligação com ele. Cada frase era um ataque. No meio disto tudo, infelizmente, as propostas assumiram lugar secundário no debate.

Este segundo turno é uma comparação de personalidades, projetos  e capacidades de executá-los. Mas também é de caracteres. Grande parte do eleitorado acaba escolhendo a pessoas com quem mais simpatiza e ataques constantes não constroem uma vitória. Os ataques pessoais, bastante adjetivados, são totalmente desnecessários e doem aos ouvidos do eleitor, que já desencantado com a política se esforça para conseguir acompanhar o debate e escolher em quem votar. Ninguém se constitui tentando desconstituir o outro. Ofensas gratuitas só tiram votos de quem as profere e as pesquisas estão aí para provar.