Economia, Política

Análise da pesquisa do Instituto Paraná sobre a eleição de 2016 em Porto Alegre

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Vou traçar algumas considerações sobre a última pesquisa do Instituto Paraná, publicada no Correio do Povo (14/12/15). Primeiro é preciso colocar os dados relativos aos três cenários testados.

Dados da Pesquisa do Instituto Paraná apresentados agora em dezembro

Cenário 1 – Manuela (25,3%) / Luciana Genro (12,2%) / Onyx Lorenzoni (9,7%) / Maria do Rosário (9,1%) / Vieira da Cunha (8,7%) / Sebastião Melo (5,7%) / Beto Albuquerque (3,8%) / Nelson Marchezan (3,8%) / Kevin Krieger (1,6%)

Cenário 2 – Manuela (26,4%) / Lasier Martins (13,8%) / Luciana Genro (12,6%) / Onyx Lorenzoni (9,9%) / Yeda Crusius (6,5%) / Sebastião Melo (5,8%) / Beto Albuquerque (4,6%) / Henrique Fontana (3,3%) / Marcel Van Hatten (0,5%)

Cenário 3 – Manuela (26,8%) / Lasier Martins (13,7%) / Luciana Genro (13,6%) / Onyx Lorenzoni (10,5%) / Sebastião Melo (6,1%) / Beto Albuquerque (4,2%) / Nelson Marchezan (3,4%) / Henrique Fontana (3,3%) / Marcel Van Hatten (0,5%)

Algumas considerações iniciais

Se é verdade que quando comparamos estes dados com a última pesquisa do Instituto Paraná, publicada em maio, Manuela teve um aparente crescimento, indo de 19,24% para 26,8% no melhor cenário, sete pontos percentuais a mais, se comparada com a última pesquisa do Instituto Methodus, publicada pelo Correio do Povo em outubro, elas permanecem praticamente no mesmo patamar de intenção de voto, Manuela com 23,9% e Luciana com 14,5%. A diferença é que Manuela atingiu estes 23,9% na simulação do Methodus em um cenário sem candidatos do PT na disputa. Agora, na simulação do Instituto Paraná, Manuela tem 25,3% em um cenário onde Maria do Rosário (PT) tem 9,1%. Quando Manuela é colocada em um cenário onde Maria do Rosário é substituída por Henrique Fontana (PT), Manuela cresce e faz 26,4%, Luciana sobe um pouco, fazendo 13,8%. Henrique Fontana faz apenas 3,3%. Como a probabilidade maior é de que o PT lance o vice de Manuela, caso esta concorra, é de imaginar que ela receberá a maioria dos votos dos ainda eleitores do PT, podendo sair de 30% nas intenções de voto.

Na pesquisa de maio do Instituto Paraná trouxe Manuela (PCdoB) e Luciana Genro (PSOL) nos dois primeiros lugares na preferência do eleitorado, com 19,24% e 11,4% das intenções de voto, respectivamente. O terceiro lugar estava ocupado por Vieira da Cunha (PDT), com 8,9%, seguido de Maria do Rosário (PT) com 8,8% e Onyx Lorenzoni (DEM), com 8,4%.

Agora em dezembro, além de Manuela, Onyx tem ligeiro crescimento, ficando com 10,5% no melhor cenário. Podemos ver que nos cenários testados, Onyx Lorenzoni (DEM), não perde votos para o senador Lasier Martins (PDT), que desempenha melhor do que Viera da Cunha. O cenário em que Onyx mais cresce é o que o pré-candidato Kevin Krieger (PP) não é testado e nem a ex-governadora Yeda Crusius (PSDB).

Ainda não decidiram

Importante destacar que em maio de 63,9% que tinham definido sua opção de voto, agora em dezembro este número cresceu para 77,9%. O prefeito José Fortunati (que não poderá concorrer novamente) aparecia com 8,5%, seguido de Manuela d’Ávila com 3,4% e Olívio Dutra com 2,8% dos votos. Agora Fortunati caiu para 1,6% na espontânea, Manuela teve ligeiro crescimento, ficando com 4,4% e Sebastião Melo, provável candidato à sucessão de Fortunati, aparece com apenas 1,1%. A queda de Fortunati não refletiu no crescimento de nenhum candidato em particular, mas no aumento do número de indecisos.

Já entre Fortunati, Sartori e Dilma, o único cujo apoio a um candidato é mais positivo de que negativo é no caso do prefeito. Deve ser reflexo da aprovação de quase 54% dos eleitores em relação à administração da prefeitura.

Simulações de segundo turno incompletas

Preciso destacar que estranhei muito a falta de três simulações de segundo turno. Uma entre Manuela (PCdoB) e Lasier Martins (PDT), pois o senador pontuou bem em dois cenários. Uma simulação sem Manuela no cenário, pois, conforme informações na imprensa, a candidata ainda está com questões financeiras pendentes relativas à última campanha. E por fim, a simulação que eu considero obrigatória e que não apareceu foi entre Manuela ou Luciana e Sebastião Melo. Oposição x situação. Sebastião Melo tem grande potencial de crescimento, pois ter a prefeitura na mão em uma disputa sempre é um diferencial competitivo, ainda mais com o fim do financiamento empresarial de campanhas, que deixará o dinheiro curto para a maioria dos candidatos. Em compensação a pesquisa fez uma simulação de segundo turno completamente desnecessária entre Manuela e Maria do Rosário, cenário altamente improvável.

Pré-requisitos dos eleitores 

O que os eleitores mais querem é honestidade por parte dos candidatos. Em segundo lugar que cumpram promessas de campanha. Eu já tinha feito um artigo sobre isto, em outubro, explicando a tendência do comportamento eleitoral para 2016. Experiência e competência vem lastimavelmente em terceiro e quarto lugares. Eu digo lastimável porque honestidade e palavra deveriam ser quesito obrigatório para se participar da política e não diferencial competitivo.

Considerações finais

A tendência do comportamento eleitoral em Porto Alegre tem sido pela polarização. Dificilmente teremos dois candidatos de esquerda em um segundo turno. Só consigo imaginar este cenário caso houvesse tal pulverização de candidaturas na esfera centro e direita que acabasse por favorecer Manuela e Luciana. A tendência, em se tendo estratégia, é que seja criada uma candidatura forte de esquerda, uma representando o governo e outra de centro-direita, mas de oposição ao governo, representando aqueles eleitores que querem mudança na administração, mas não querem mais esquerda em Porto Alegre. A eleição deverá ser pautada por estes três candidatos.

Para reflexão

Podemos fazer uma provocação, somando as candidaturas de esquerda, de centro esquerda e de centro direita e vendo para onde migram os votos.

Vamos lá, no cenário 1 ficaria assim:

  • PT + PSOL + PCdoB = 46,6%
  • PDT + PSB + PMDB = 19,2%
  • DEM + PP + PSDB = 15,1%

Cenário 2:

  • PT + PSOL + PCdoB = 42,3%
  • PDT + PSB + PMDB = 24,2%
  • DEM + PP + PSDB = 16,9%

Cenário 3:

  • PT + PSOL + PCdoB = 43,7%
  • PDT + PSB + PMDB = 24,0%
  • DEM + PP + PSDB = 14,4%

Se somarmos os votos de centro com os de centro direita, construindo uma frente ampla, e assumindo que os votos sofrem pouca volatilidade ideológica, conforme sequencia história em Porto Alegre e no RS, poderíamos ter a seguinte equação:

Cenário 1

Esquerda x Centro e Direita = 46,6% x 34,3%

Cenário 2

Esquerda x Centro e Direita = 42,3% x 41,1%

Cenário3

Esquerda x Centro e Direita = 43,7% x 38,4%

Ou seja, a tendência ideológica é esta. Os números podem sofrer alterações se forem acrescentados outros partidos que não foram testados, como o PSD e o PPS por exemplo.  Outra questão é que o centro vai ser o fiel da balança desta eleição, pois além da força que o campo tem, existem eleitores de centro que votam em Manuela e podem desistir da candidata se ela se aliar ao PT.

A campanha mais curta, com 45 dias e apenas 35 dias de TV não favorece os novos candidatos. O tempo é escasso para construir imagem e discurso, se fazer conhecer ou apresentar programas detalhados de governo. Os candidatos mais conhecidos, desde que preencham os pré-requisitos deste ano, sairão na frente. Cabe aos novos utilizar o período de pré-campanha, que está liberado, para se fazer conhecer nas redes sociais e nas comunidades.

Luciana Genro terá o limitante de não participar dos debates em rádio e TV, pois segundo a nova lei eleitoral o PSOL não tem o número mínimo de deputados federais eleitos.

A pesquisa do IP que foi realizada entre 6 e 8 de dezembro, em Porto Alegre, com 755 eleitores maiores de 16 anos e uma margem de erro de 3,5%.