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Aviso ao Temer: Nós não queremos estancar esta sangria!

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Começamos a semana com a revelação bombástica das gravações onde o senador Romero Jucá, recém nomeado Ministro do Planejamento do presidente Interino Michel Temer, fala em atrapalhar a Operação Lava Jato (gravações abaixo). As gravações são gravíssimas e ainda deixam transparecer que Jucá de certa forma controla Temer. Temer precisa entender que o momento é muito delicado. A permanência de Jucá é indefensável, ele é herança do governo petista. A presença de Jucá só prejudica Temer.

É evidente que Jucá nunca poderia ter entrado para o Governo. O senador e Ministro do Planejamento de Temer é citado na Lava Jato e em mais quatro inquéritos, entre eles o da Zelotes.  Foi a morte anunciada. Temer estava mais do que avisado, e ele não tem a opção de errar. Se ele imaginou que queríamos apenas a saída do PT, avaliou errado. Não queremos “estancar esta sangria”. Queremos a limpa completa. Nós somos apoiadores do MORO e o discurso contra a corrupção e pela moralização do governo continua valendo. Foi por isto que fomos para rua, que nos manifestamos. E não vamos ficar calados.

Temer deu entrevista logo após assumir o governo garantindo que daria total apoio a Operação do juiz Sergio Moro. Se ele realmente apoia a Lava Jato tem que tirar os podres dos Ministérios ou perderá apoio e credibilidade e se tornará insustentável. Não aceitamos a governabilidade a qualquer custo.

O processo de impeachment contra este governo fracassado e corrupto, oriundo de um estelionato político, que quebrou o país e nos deixou Temer como herança, com um rombo previsto de mais de R$ 170,2 bilhões de reais continua em curso. O presidente interino tem que parar de errar e começar a agir de forma firme, em consonância e com a seriedade que o momento pede. Queremos Lula na cadeia, a moralização da política e que a Lava Jato, lave tudo!

Gravações (fonte Estadão):

Gravados de forma oculta, os diálogos ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

O advogado do ministro do Planejamento, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.

Machado ocupa a maior parte da conversa. Leia o diálogo principal:

Machado – O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês. Machado, o envio do seu caso para Curitiba seria uma estratégia para que ele fizesse uma delação e incriminasse líderes do PMDB. Preciso que seja montada uma “estrutura” para me proteger. Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer.

Jucá – Este teu caso não pode ficar na mão desse [Moro].

Machado – Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída. As novas delações na Lava Jato não deixarão “pedra sobre pedra”.

Jucá – Será preciso uma resposta política para evitar que o caso caia nas mãos de Moro. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria.

Machado – É preciso uma coisa política e rápida.

Jucá – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’.. E o Aécio ?

Machado – É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma…

Jucá – Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.

Machado – O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…

Jucá – É, a gente viveu tudo.

(…) A gravação segue. Em outro trecho, o atual ministro do Planejamento falou ainda sobre as dificuldades que o PMDB vinha enfrentando para “a solução Michel”, que seria a posse do vice-presidente no lugar de Dilma Rousseff. O único empecilho, segundo Jucá, era o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). “Só Renan que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, porra”, afirma Jucá no diálogo, que foi gravado. “O Renan reage à solução do Michel. Porra, o Michel, é uma solução que a gente pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. ‘Michel, vem cá, é isso e isso, isso, vai ser assim, as reformas são essas’“, disse Jucá ao ex-presidente da Transpetro.

Saiba mais:

Na semana passada o STF autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador, por condutas referentes à liberação de emendas parlamentares para obras que depois teriam sido superfaturadas. O pedido foi feito pelo Ministro Marco Aurélio Melo, e é oportunista, pois a questão está lá desde 2004. E este é outro tema que precisaremos enfrentar, a demora do STF em julgar o que precisa e o engavetamento e desengavetamento de inquéritos ao bel prazer dos Ministros. Queremos que as coisas andem mais rápidas por lá, e para todos. Além disto a falta transparência do Tribunal. Ministros são citados nas gravações mais absurdas. Fica claro que não existe a isenção necessária, a instituição está sob suspeita. A sociedade exige uma resposta.

 

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