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Os ataques a Bruxelas e o ovo da serpente

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Os ataques terroristas do Estado Islâmico (EI) ao aeroporto e ao metrô de Bruxelas (Bélgica), hoje de manhã(22/03), deixando pelo menos 34 mortos e mais 138 feridos, não podem ser tratados como uma surpresa. A Bélgica estava em alerta máximo há quatro dias, desde a prisão de Salah Abdeslam, líder do EI e principal suspeito de ter organizado os ataques terroristas de 13 de novembro do ano passado em Paris, que deixaram 130 mortos e mais de 200 feridos.

Autoridades belgas declararam ter ficado surpresos com o nível de organização e complexidade que o Estado Islâmico parece ter dentro do continente, descobriram após interrogar alguns suspeitos pegos junto com Salah. O primeiro ministro belga Charles Michel e as autoridades locais estão sendo duramente criticados por aparentemente terem subestimado a ameaça, mostrando não estarem preparados para lidar com o terrorismo.  Isto é muito preocupante porque imaginamos que está recém começando a ofensiva do ISIS sobre o continente europeu. Segundo informações do jornal egípcio Al Watan, citando a agência de notícias dos jihadistas Amaq News Agency, no texto em que reivindica os dois ataques ocorridos em Bruxelas, o grupo terrorista afirmou que irá realizar “muitas outras operações na Europa”.

Mas, afinal, existe surpresa nisto tudo? Quem se informa ou se interessa por geopolítica e relações internacionais, sabe que a Europa tem chocado o ovo da serpente há anos.

Os europeus são tão civilizados que não compreendem a sede de barbárie dos radicais islâmicos e sua luta contra a democracia e os infiéis. A democracia é um regime que preza a liberdade individual, religiosa, sexual, a liberdade política, enquanto a teocracia não o é. Alimentados pelo multiculturalismo e pelo politicamente correto, com medo de serem taxados de islamofóbicos, estão pagando com a vida. Querem tratar como iguais quem lhe despreza as leis nacionais e vive com suas próprias regras em guetos cada vez mais fechados. Querem ser tolerantes com quem prega a intolerância. Querem ser civilizados com quem não compactua com a mesma agenda de civilidade. Quanta benevolência por parte do Velho Mundo. Deve ser muito complexo de culpa.

No ritmo que cresce a imigração e com a baixíssima taxa de natalidade das europeias (no máximo 1 filho) em comparação com as islâmicas (cerca de 8 filhos), em 20 anos a Europa irá sucumbir ao islamismo. Com a cidadania eles poderão assumir o poder político no continente e converter às leis aos seus costumes. Os movimentos de esquerda dentro do continente parecem fazer gosto que isto aconteça. Unidos em torno do que consideram inimigos comuns, como o “capitalismo opressor” e o “imperialismo”, os marxistas não percebem que serão o próximo alvo, pois também são infiéis perante a sharia.

A Alemanha, a Inglaterra e a França ensaiam uma resposta ao terror, tentando reverter a situação no bloco. Provavelmente terão que aderir a leis mais duras, restrições à liberdade de vários tipos, novas regras para imigração e política de fronteiras. Temo que seja tarde demais. De qualquer forma todo o mundo civilizado já sai perdendo, pois nestes casos de ameaça do terror, a segurança sempre deixa a liberdade em segundo plano.