Economia, Opinião, Política

O que quero no Brasil pós Dilma

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Como é impossível prevermos quanto tempo Michel Temer poderá ficar no poder, se o processo no TSE vai andar célere ou não, ou o que a Lava Jato ainda terá para nos revelar, o certo é que precisamos tanto de um conjunto de reformas pontuais e corajosas que deem um alívio imediato quanto de uma agenda transformadora, de médio e longo prazo.  Vou imaginá-las, portanto, feitas por Temer, mas elas poderiam ser postas em prática por qualquer um – que não seja de esquerda – e que venha a assumir a Presidência.

O próximo governante terá a responsabilidade histórica de aproveitar este contexto ímpar que vivemos. As reformas que o país precisa estão na geladeira há tempo demais. Crise aguda, na economia e na política, pode ser o ambiente ideal para selar um consenso para a reconstrução nacional e a implantação de uma agenda verdadeiramente reformista e transformadora, que dará o salto que o Brasil precisa para entrar definitivamente em uma era de desenvolvimento.

Antes de apresentar a agenda, acho necessário destacar os pré-requisitos para se fazer as reformas necessárias. É preciso ter uma mente guiada pela razão, ser liberal ou simpatizante e compreender que é de liberalismo e mercado livre que o país precisa; ter coragem para enfrentar as corporações e os falsos movimentos sociais (cooptados e partidários), acabando com as mordomias, privilégios e desperdício de dinheiro público; ter foco e saber planejar; sair do campo do discurso e do diagnóstico (que todos estão cansados de conhecer) e entregar uma política de resultados; saber compor, resistindo ao fisiologismo como instrumento de compra de apoio e formando uma base unida por um projeto de país. Gosto do título da palestra que Temer tem dado: Uma Ponte para o Futuro. Só que quero atravessar a ponte e poder andar em terra firme, nada de pântanos ou areias movediças.

Uma vez que o espírito de Temer esteja imbuído de ser o nosso agente transformador (termo ironicamente roubado do marxismo cultural) precisamos que ele faça a imediata e drástica redução da máquina pública, ministérios e cargos, reduzindo os custos de governo.

Quanto mais Estado, menos liberdade.

Quanto mais direitos coletivos, menos direitos individuais.

Quanto mais poder político, maior a corrupção.

Imediatamente depois disto, que Temer promova a abertura da economia, o reposicionamento da política de comércio internacional e realize uma ampla reforma fiscal, com ajustes das contas públicas. Precisamos de um amplo programa de concessões e privatizações e de investimentos massivos em infraestrutura. Depois a reforma tributária – com redução e simplificação de impostos e taxas, a reforma política – com fim de reeleição, voto distrital misto e recall e a tão necessária reforma previdenciária.

Precisamos de políticas de educação e planejamento familiar. Filho desejado é filho amado. É preciso restituir os valores morais e a ética neste país. Precisamos de governantes que sejam exemplos de conduta. Exigimos o fim do foro privilegiado para crimes de todo tipo, das mordomias dos três poderes, dos cartões corporativos (sem limite e sem prestação de contas), do uso do dinheiro público, via BNDES, para bancar investimentos em outros países enquanto aqui nossa infraestrutura cai aos pedaços.

No Brasil pós Dilma queremos que todos os brasileiros cumpram as mesmas leis. Invadiu? Depredou? Roubou? Cadeia. Agrediu? Direito de defesa. Fim da contribuição sindical obrigatória, outra prioridade.

Escola Sem Partido é super necessário e precisa ser política de Estado. Rever as últimas políticos do MEC e focar a escola no preparo técnico e científico, ao contrário do ideológico que forma alunos-militantes. A escola não deve dizer a ninguém como pensar ou agir, mas tem que dar a base para que as pessoas se tornem independentes e não precisem depender do Estado.

O Brasil também precisará rever o excesso de direitos de nascimento (moradia, alimentação, lazer (!)) garantidos pela Constituição Federal de 1988, mas sem nenhuma sustentabilidade, enquanto não temos a obrigação número um do Estado conosco: segurança pública. Nossa Constituição precisa passar por ampla reforma, mas antes temos que eleger uma bancada federal mais liberal e conservadora. Por enquanto, reforma constituinte é tiro no pé.

Precisamos acabar com o Foro de São Paulo, deixar de ser signatários e patrocinadores. Nosso país precisa sair do debate jurássico no qual este governo petista nos jogou, levando o Brasil ao atraso de ter que debater o socialismo, quando o mundo todo já viu que o modelo marxista não funciona. Luta de classes é coisa da época da Revolução Industrial. Estamos vivendo a Revolução Tecnológica. Estas teorias estão ultrapassadas. Vivemos um novo paradigma de trocas entre as pessoas. Deveríamos estar falando de República versus Populismo, pois só se fala em Esquerda versus Direita em países subdesenvolvidos.

Enfim, o Brasil pós PT, o Brasil pós Dilma é quase um país que precisa ser reconstruído após uma guerra. Esta esquerda que está aí é que fez aliança com as elites mais ultrapassadas do país, aquelas que remontam aos Donos do Brasil, de Raimundo Faoro…banqueiros, empreiteiros, grandes latifundiários. Nenhum deles capitalista. Eles são patrimonialistas, clientelistas. Nenhum deles adepto ao livre mercado, gostam de mesadas, financiamentos, benesses de governo. Não querem competir de igual para igual. Foi com esta gente, que perpetua a miséria para se manter no poder, que os novos coronéis, agora coronelismo político, têm dominado o país.