Ex Ministro Moro defendia que pessoas que não cumprissem a quarentena fossem presas

BRASÍLIA (Reuters) – A Polícia Federal incluiu novas trocas de mensagens entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro em pedido apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (2), de prorrogação por mais de 30 dias do prazo para a conclusão do inquérito que apura acusações de Moro sobre suposta interferência política do chefe do Executivo na PF.

Em uma das mensagens, no dia 12 de abril, Bolsonaro encaminhou a Moro notícia publicada pelo jornal Valor Econômico em que o então ministro da Justiça afirmava, segundo a publicação, que a polícia poderia prender aqueles que desrespeitassem medidas de isolamento social e quarentena. O presidente, contudo, sempre foi forte crítico dessas medidas para conter a disseminação da Covid-19.

“Se esta matéria for verdadeira: Todos os ministros, caso queira contrariar o PR (presidente), pode fazê-lo, mas tenha dignidade para se demitir. Aberto para a imprensa” escreveu Bolsonaro a Moro.

Em réplica, o então titular da Justiça, que disse não ter falado com a imprensa, citou um artigo do Código Penal no qual dispõe ser crime punível com detenção até um ano quem infringir determinação do poder público que se destina a impedir propagação de doença contagiosa.

Procurada por e-mail, a Secretaria de Comunicação da Presidência não respondeu de imediato a pedido de comentário sobre o diálogo. Bolsonaro já negou publicamente ter interferido na PF.

Moro pediu demissão ainda no mês de abril, e acusou Bolsonaro de tentar interferir na PF.

A pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, o inquérito foi aberto no final de abril pelo ministro Celso de Mello, relator do caso no Supremo.

Uma das diligências pendentes, que foi requerida pela Polícia Federal, é o depoimento de Bolsonaro no caso. A solicitação de oitiva será apreciada pelo decano após o procurador-geral da República ter se manifestado a favor do depoimento do presidente por escrito.

O inquérito sobre as acusações de Moro, ex-juiz da operação Lava Jato, já colheu uma série de depoimentos. Ao final das apurações, caberá ao procurador-geral decidir se vai denunciar Bolsonaro, arquivar as investigações ou pedir novas diligências.

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